Bolsonarismo recua na BR-163 entre Mato Grosso e Pará antes da eleição
Ações da Polícia Federal e denúncias da Procuradoria-Geral da República esfriam o clima eleitoral na região amazônica mais alinhada ao bolsonarismo.
A poucas semanas do início do pleito eleitoral, o município de Novo Progresso, situado no sul paraense ao longo do corredor logístico da BR-163, apresenta um cenário de baixa movimentação política. Conhecida como uma das localidades mais favoráveis ao bolsonarismo na Amazônia, a cidade registra um silêncio incomum nas ruas no que tange à campanha para a Presidência da República.
O arrefecimento do ativismo político na região, que faz divisa com o estado de Mato Grosso, decorre de desdobramentos jurídicos conduzidos em Brasília. Após apurações sigilosas conduzidas pela Polícia Federal, o procurador-Geral da República formalizou denúncias contra nove pessoas apontadas como participantes dos protestos e bloqueios rodoviários ocorridos logo após a derrota de Jair Bolsonaro na disputa presidencial de 2022.
Os episódios de interrupção do tráfego na rodovia federal foram marcados por extrema tensão, incluindo ataques a viaturas da Polícia Rodoviária Federal com disparos de arma de fogo e pedradas. O Ministério Público Federal classificou os atos como tentativa de homicídio e de abolição violenta do Estado democrático de Direito, remetendo o caso ao Supremo Tribunal Federal.
Com lideranças locais sob investigação, multas aplicadas a empresários por determinação da Suprema Corte e o afastamento de alguns dos denunciados que deixaram o município, cabos eleitorais e políticos locais relatam um clima de paralisação nas ruas. Mesmo com a preferência ideológica pela direita mantida por parte expressiva dos moradores, as manifestações ostensivas de apoio a candidatos do grupo político deram lugar a demonstrações mais discretas, como o uso isolado de bandeiras nacionais em propriedades rurais da região.
A economia local, fortemente baseada na extração de madeira, garimpo de ouro, pecuária e cultivo de grãos, também influencia o descontentamento com a atual gestão federal devido ao endurecimento da fiscalização ambiental. Enquanto alguns investigados tentam reorganizar suas atividades comerciais e defendem que atuaram de forma impulsiva durante os protestos passados, o eleitorado local demonstra cautela na reta final da campanha, dividindo-se entre o ceticismo em relação à disputa e a rejeição histórica à esquerda.















