Fim da escala 6x1 gera alerta sobre emprego e inflação em MT
Entidades empresariais apontam impacto bilionário na folha de pagamento e riscos para a competitividade das empresas no estado.
A alteração na jornada de trabalho trazida pela aprovação da PEC 221/2019 no Senado Federal acendeu um sinal vermelho entre empresários e industriais no estado de Mato Grosso. A proposta, que estabelece o fim do regime de escala 6x1 e a diminuição da carga horária semanal, passou a ser vista pelos setores produtivos locais como uma ameaça real à estabilidade econômica e à manutenção de postos de trabalho.
Levantamentos realizados pelo Observatório vinculado ao sistema industrial mato-grossense indicam que quase cento e sessenta e oito mil vínculos empregatícios na área fabril correm riscos de sofrer reflexos diretos dessa mudança legislativa. Esse volume representa mais de oitenta porcento de toda a mão de obra empregada no segmento industrial em solo estadual, gerando um acréscimo anual estimado em até um bilhão e duzentos milhões de reais nas despesas com salários.
No comércio varejista e no setor de serviços da capital e região metropolitana, a apreensão segue o mesmo patamar. Lojistas que mantêm portas abertas durante todos os dias da semana argumentam que operam com equipes enxutas e margens apertadas, tornando inviável absorver a elevação no valor da hora trabalhada sem que haja uma compensação tributária ou salvaguardas legais.
Representantes do comércio local enfatizam que a ausência de mecanismos de desoneração ou de apoio federal resultará inevitavelmente no repasse dessas novas despesas financeiras diretamente ao consumidor final nas prateleiras. Além disso, dirigentes empresariais ressaltam que a taxa de desocupação no território mato-grossoense é atualmente uma das menores de todo o país, o que tornaria extremamente difícil a reposição de pessoal caso ocorra a necessidade de novas contratações para cobrir as folgas ampliadas.
Diante desse cenário de incertezas, o setor produtivo cobra da bancada parlamentar federal e do governo medidas urgentes de desoneração da folha de pagamentos e a priorização de negociações coletivas junto aos sindicatos. Para as entidades empresariais, embora a busca por melhores condições laborais seja legítima, a transição precisa respeitar as particularidades operacionais da economia regional para evitar impactos severos no custo de vida da população.















