Gallo vê revanchismo com agro e aposta em MT em 2027
Ex-gestor econômico aponta que impacto da reforma tributária pode alcançar R$ 10 bilhões anualmente para as contas públicas.
A condução da reforma tributária pelo governo federal foi marcada por uma postura de revanchismo direcionada ao agronegócio, segundo avaliação do ex-secretário estadual de Fazenda, Rogério Gallo. O posicionamento, de acordo com o economista, pesou diretamente contra os interesses fiscais de Mato Grosso durante a elaboração das novas regras para a arrecadação no país.
Projeções financeiras indicam que o impacto negativo para o estado pode alcançar a marca de R$ 10 bilhões anualmente. Em estimativas anteriores divulgadas pela gestão estadual, a retração na arrecadação ficaria na faixa de 20% a 25%, cifras que representavam entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões por ano, cenário que pressiona a economia local devido à forte dependência do setor produtivo.
O problema é agravado pela mudança no modelo de taxação, que deixa de priorizar a localidade onde os produtos são originados e passa a focar o território onde ocorre o consumo final. Como o estado atua como um dos maiores fornecedores de commodities para diversos mercados, a alteração estrutural penaliza severamente a arrecadação regional.
Gallo também pontuou que a bancada federal do estado encontrou dificuldades de articulação política durante a tramitação das matérias em 2023. Outro ponto de atrito citado foi a divisão dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, onde a região receberá aproximadamente R$ 1 bilhão dentro de um montante total de R$ 60 bilhões, valor considerado desproporcional frente a outros estados.
Apesar do cenário adverso, o ex-gestor enxerga uma janela de oportunidade com a perspectiva de um novo arranjo político nacional a partir de 2027. Para ele, a transição no comando do país poderá abrir espaço para renegociar dispositivos da legislação tributária e restabelecer o equilíbrio no financiamento dos governos estaduais e municipais.















