Indígenas de Primavera do Leste cobram demarcação de terras

Cerca de 200 indígenas do povo Wassu, que vivem em Primavera do Leste, estão entre os grupos de Mato Grosso sem território demarcado e reivindicam medidas urgentes para garantir seus direitos.

Por Everton Plinio Martiny • 11/07/2026 06:32 • 583 acessos
Indígenas de Primavera do Leste cobram demarcação de terras

A situação de aproximadamente 200 indígenas do povo Wassu que vivem em Primavera do Leste, Mato Grosso, voltou ao centro das discussões sobre direitos territoriais após lideranças indígenas levarem a pauta à Defensoria Pública da União (DPU), em Brasília. A reivindicação faz parte de um conjunto de demandas apresentadas por representantes de diferentes povos do estado que buscam avanços na demarcação de terras indígenas.

A comitiva reuniu lideranças dos povos Apyãwa, Xerente, Yudja/Juruna e Manoki, além de assessores jurídicos do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Durante o encontro, foram apresentados relatos sobre dificuldades enfrentadas por comunidades que ainda aguardam a regularização de seus territórios e convivem com insegurança jurídica.

Entre os principais pontos discutidos está a realidade de cinco povos indígenas de Mato Grosso que permanecem sem terras oficialmente demarcadas e sem processos administrativos em andamento. Essas comunidades vivem atualmente em áreas urbanas periféricas, cenário que, segundo as lideranças, amplia a vulnerabilidade social e dificulta o acesso a direitos básicos.

No caso de Primavera do Leste, o povo Wassu foi citado como exemplo dessa situação. Sem território reconhecido, as famílias reivindicam ações que permitam garantir condições adequadas para preservar sua cultura, identidade e modo de vida.

Outra demanda apresentada envolve o povo Manoki, que busca recuperar áreas consideradas sagradas na região do Rio do Sangue após episódios históricos de violência e deslocamentos forçados. Já os Apyãwa, conhecidos também como Tapirapé, aguardam há quase três décadas a conclusão da retirada de ocupantes não indígenas da Terra Indígena Urubu Branco, localizada em Confresa.

Durante a reunião, as lideranças também alertaram para a situação de nove povos indígenas em isolamento voluntário que vivem em Mato Grosso. Segundo os representantes, essas comunidades enfrentam riscos crescentes devido ao avanço de atividades ilegais, como exploração madeireira e mineração em áreas próximas.

Além da questão territorial, os indígenas defenderam o fortalecimento das políticas públicas de saúde e educação voltadas às aldeias. Outro tema destacado foi a preocupação com a segurança das comunidades, diante do aumento da atuação de organizações criminosas e grupos armados em diferentes regiões do estado.

Ao final do encontro, a Defensoria Pública da União reafirmou que continuará acompanhando as demandas apresentadas e destacou sua atuação na defesa dos direitos constitucionais dos povos indígenas, inclusive em processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). A instituição informou ainda que permanece à disposição para adotar medidas jurídicas e institucionais relacionadas à proteção desses direitos.

Primavera do Leste

Mato Grosso