Instituto de Identificação completa 50 anos em MT
Meio século de história transformou a identificação civil e criminal em Mato Grosso.
O Instituto de Identificação Aroldo Mendes de Paiva completa 50 anos nesta quarta-feira (4), marcando uma trajetória de modernização dos serviços de identificação civil e criminal em Mato Grosso. Criado em 1976, o órgão foi responsável por revolucionar a emissão de documentos e a gestão de dados biométricos, tornando o estado uma referência nacional no setor.
A inauguração ocorreu em 4 de junho de 1976 e representou um importante avanço para a segurança pública mato-grossense. Na época, o instituto passou a centralizar informações criminais, realizar pesquisas cadastrais e fornecer antecedentes para investigações e processos judiciais, além de organizar os registros civis da população.
Embora o Instituto de Identificação tenha sido criado em 1976, os serviços de identificação já existiam em Mato Grosso desde 1921, quando foi instituído o Gabinete de Identificação e Estatística Criminal.
Com a criação da nova estrutura, o estado passou a contar com um sistema mais organizado para catalogar dados biográficos e biométricos dos cidadãos. O trabalho era realizado manualmente por datiloscopistas, que analisavam impressões digitais e mantinham extensos arquivos físicos contendo informações de milhares de pessoas.
Entre os anos de 1976 e 1979, o processo de modernização ganhou força com investimentos em equipamentos, capacitação de servidores e ampliação dos serviços para municípios do interior.
Na década de 1970, Mato Grosso estava entre os poucos estados brasileiros que exigiam pesquisa datiloscópica antes da emissão da carteira de identidade e da certidão de antecedentes criminais.
A técnica, baseada na análise das impressões digitais, permitia confirmar a identidade dos cidadãos e dificultava tentativas de falsificação de documentos. O método também auxiliava investigações policiais e contribuiu para a localização de criminosos procurados em diferentes estados do país.
Reportagens da época destacavam que o trabalho desenvolvido pelos profissionais do instituto servia de modelo para outras unidades de identificação brasileiras.
O crescimento da demanda pelos serviços impulsionou a expansão do atendimento em Mato Grosso. Equipes itinerantes passaram a percorrer diversas regiões para garantir o acesso da população ao documento de identidade.
O papiloscopista aposentado Hélio Stech, que ingressou no serviço em 1979, participou desse processo e relembra os desafios enfrentados para atender moradores de áreas distantes.
Segundo ele, muitos trabalhadores dependiam da carteira de identidade para acessar benefícios e garantir direitos, o que exigia deslocamentos por estradas e até viagens aéreas para levar o serviço aos municípios mais remotos.
Em 1978, a substituição do modelo da carteira de identidade provocou um aumento significativo na procura pelo documento em Cuiabá.
Na época, o único posto de identificação da capital registrava uma demanda diária de aproximadamente 1.600 processos civis e criminais. O volume gerou longas filas e obrigou a ampliação da estrutura de atendimento, com a criação de novos postos e a prorrogação dos prazos para emissão do novo RG.
Dados históricos apontam que, naquele período, o instituto já havia expedido mais de 240 mil documentos de identificação civil e criminal em Mato Grosso.
Ao longo das últimas décadas, os processos manuais deram lugar a sistemas digitais e ferramentas automatizadas de busca biométrica. A implantação da coleta biométrica eletrônica e do Sistema Automatizado de Identificação Biométrica (Abis) ampliou a agilidade e a segurança dos serviços.
Mesmo com os avanços tecnológicos, especialistas destacam que a análise das impressões digitais continua sendo a base da identificação humana, mantendo sua importância tanto na área civil quanto na criminal.
A evolução dos serviços ganhou um novo capítulo em 2023 com a implantação da Carteira de Identidade Nacional (CIN), documento que utiliza o CPF como número único de identificação em todo o país.
A mudança trouxe maior integração entre órgãos públicos, reduziu riscos de fraude e simplificou o acesso dos cidadãos a diversos serviços.
A história do Instituto de Identificação Aroldo Mendes de Paiva acompanha a própria evolução da identificação civil em Mato Grosso. Dos arquivos físicos e pesquisas manuais às modernas plataformas biométricas, o órgão ajudou a construir um sistema mais seguro e eficiente para milhões de mato-grossenses.
Cinco décadas após sua criação, os avanços implementados continuam refletindo diretamente na qualidade dos serviços prestados à população, enquanto novas tecnologias seguem ampliando a segurança e a confiabilidade dos processos de identificação no estado.















