Estudantes indígenas estreiam no Enem em Juína
Mobilização escolar e comunitária garantiu documentação, suporte financeiro e transporte para a primeira turma participante.
A Escola Estadual Indígena Pasapkareej, vinculada à DRE-Juína, alcançou um feito inédito no estado de Mato Grosso ao registrar, pela primeira vez na história, a participação de seus alunos no Exame Nacional do Ensino Médio.
A mudança de cenário começou a ser desenhada após a constatação, em 2024, de que nenhum estudante havia conseguido se inscrever na avaliação nacional, uma situação que se repetia desde a fundação da instituição de ensino.
Para reverter esse quadro, a equipe pedagógica estabeleceu o desafio de viabilizar a inscrição de ao menos um aluno, mobilizando o corpo docente, os próprios matriculados e as principais lideranças da região.
Historicamente, a ausência de candidatos indígenas na prova era motivada por diversos fatores críticos, como a falta de documentação civil, ausência de dispositivos móveis, e-mail e internet, além de barreiras financeiras e logísticas para o deslocamento até o perímetro urbano.
O desconhecimento sobre as etapas do exame, isenções de taxas e o funcionamento do acesso ao ensino superior também agravavam o quadro, somando-se às limitações estruturais enfrentadas pelas escolas localizadas em terras originárias.
Diante dos obstáculos, foram realizadas rodas de estudo, atividades dinâmicas sobre o conteúdo do exame e atendimentos individualizados ao longo de 2024 e 2025 para auxiliar na emissão de documentos e nas inscrições.
O suporte incluiu o custeio de taxas por parte dos docentes, enquanto a diretora Beatriz Cinta Larga e o Cacique-Geral David Cinta Larga viabilizaram a logística de transporte.
Com o acompanhamento das professoras Andreia, Osiane, Janete/Rosângela e Gleicyelli, os alunos Deivid, Elisson, Gilmersom, Graciela, Isadora, Rainik e Nelson participaram do certame e receberam kits de alimentação específicos para o dia da avaliação.















