Investigada por fake news já foi condenada em Primavera do Leste
Alvo da operação contra fake news e ataques virtuais em Mato Grosso, Juliana Pereira Guimarães tem histórico de disputas judiciais, incluindo condenação envolvendo ameaça a uma corretora no município.
A empresária Juliana Pereira Guimarães, investigada na Operação Stop Hate, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta quarta-feira (20), já teve condenação judicial relacionada a um caso ocorrido em Primavera do Leste, a 243 km de Cuiabá. Apontada como uma das administradoras da página Nexa Influencers no Instagram, ela é suspeita de envolvimento na disseminação de notícias falsas e ataques coordenados contra políticos do estado por meio das redes sociais.
Segundo a investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), Juliana foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação, que apura crimes como perseguição virtual, calúnia, difamação e injúria qualificada contra autoridades públicas de Mato Grosso. A Polícia Civil informou que celulares, computadores e mídias digitais poderão ser analisados para aprofundar as investigações.
Antes de se tornar alvo da Operação Stop Hate, a empresária já havia sido condenada pela Justiça de Mato Grosso em um caso envolvendo uma corretora de Primavera do Leste. O processo, iniciado em 2018, teve origem após Juliana acusar a vítima de “vender carga roubada”, afirmação considerada ofensiva e sem comprovação.
Nos autos, foram anexadas mensagens enviadas pela empresária à corretora com tom intimidatório. Em um dos trechos apresentados à Justiça, Juliana afirma: “A vida de vocês daqui para frente vai virar um inferno”.
A denúncia foi analisada pela Terceira Turma Recursal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que reconheceu, por unanimidade, os danos causados à imagem da vítima. A decisão determinou o pagamento de R$ 6 mil por danos morais.
O levantamento de registros judiciais aponta que Juliana Pereira Guimarães acumula processos com valores superiores a R$ 200 mil. Entre os casos, estão ações de cobrança, execuções fiscais e disputas cíveis.
Em um dos processos, protocolado em 2016, a empresária foi acionada judicialmente pela emissão de cheques sem fundo. O débito inicial, estimado em R$ 30 mil, chegou próximo de R$ 99 mil após a atualização por juros ao longo dos anos. O caso, porém, acabou extinto sem julgamento do mérito após abandono da ação pelo autor.
Outro episódio judicial envolve um condomínio de alto padrão em Rondonópolis. Juliana contestou restrições impostas pelo residencial, após ser impedida de utilizar áreas comuns devido à inadimplência nas taxas condominiais. A empresária alegou abuso e pediu indenização por danos morais.
A Operação Stop Hate foi realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso em Rondonópolis para cumprir mandados judiciais contra investigados por ataques virtuais contra integrantes dos poderes Executivo e Legislativo.
De acordo com a investigação, perfis em redes sociais teriam ultrapassado os limites da liberdade de expressão, com publicações consideradas ofensivas, difamatórias e injuriosas contra políticos e agentes públicos. Um dos episódios investigados inclui uma postagem que atribuía falsamente um homicídio a um secretário municipal, informação negada pelas autoridades.
Os investigadores também apuram a circulação de vídeos e imagens manipulados com uso de inteligência artificial para expor vítimas de forma vexatória. Em outro caso, um deputado estadual teria sido associado à expressão “testa de ferro”, termo frequentemente relacionado a práticas ilícitas.
A Polícia Civil informou que os equipamentos eletrônicos apreendidos serão encaminhados à perícia da Politec, responsável por buscar evidências digitais que possam reforçar ou descartar suspeitas no inquérito.
Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares proibindo novas publicações relacionadas às vítimas identificadas e qualquer contato entre os investigados e os alvos citados no processo.
O caso reacende a discussão sobre o crescimento de crimes virtuais em Mato Grosso, especialmente aqueles ligados à disseminação de fake news, perseguição digital e ataques à honra em redes sociais. O avanço do uso de conteúdos manipulados por inteligência artificial também tem ampliado o alerta das autoridades sobre danos causados no ambiente digital.
As investigações da Operação Stop Hate seguem em andamento, e novas medidas podem ser adotadas pela Polícia Civil nos próximos dias.















