Cristiano Dresch aponta estelionato esportivo no futebol de MT
Dirigente detalha calotes milionários de equipes tradicionais e questiona desigualdade financeira na Série A.
A gestão financeira do futebol brasileiro voltou ao centro de um debate rigoroso após duras críticas públicas feitas pelo presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch. Durante entrevista concedida à ESPN nesta quarta-feira (23), o dirigente classificou como estelionato esportivo a manutenção de equipes endividadas na elite do esporte nacional enquanto concorrentes menores cumprem rigorosamente suas obrigações econômicas.
Segundo o mandatário, a situação compromete a competitividade justa, citando exemplos de agremiações como Mirassol e Remo que mantêm as contas equilibradas, mas sofrem desvantagens esportivas diante de rivais inadimplentes. O principal foco da cobrança recai sobre o Santos, Corinthians, Vasco, Botafogo e Grêmio, que acumulam débitos expressivos com o clube mato-grossense sem a devida quitação dos valores acordados.
A cobrança ganhou ainda mais força após uma decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) emitida na última terça-feira (22), que condenou o Santos a quitar uma quantia superior a R$ 18,6 milhões. O montante refere-se à negociação do zagueiro Joaquim realizada em fevereiro de 2023, incluindo a participação da equipe auriverde na revenda do defensor ao futebol mexicano, cujo prazo final de quitação expirou em janeiro de 2025.
Além do caso santista, a diretoria contabiliza pendências financeiras com outros gigantes do país, elevando o total em aberto para mais de R$ 40 milhões. O Corinthians possui um parcelamento estendido até 2031 intermediado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas sem incidência de juros, cuja parcela de julho permanece inadimplida. O Sport também figura na lista com um débito aproximado de R$ 6 milhões referente ao lateral Matheus Alexandre, enquanto o Grêmio aguarda julgamento sobre um crédito de R$ 900 mil.
Para o dirigente, as facilidades concedidas aos devedores geram um desequilíbrio severo, deixando o caixa do clube severamente comprometido. A crítica expõe uma insatisfação profunda com os critérios de regulação financeira no esporte, colocando em xeque a sustentabilidade das equipes que adotam uma postura fiscal rigorosa no estado de Mato Grosso e em todo o território nacional.















