Homem é condenado por matar ex com fogo em Paranatinga

Julgamento reconheceu feminicídio, perseguição e violência psicológica no caso que chocou Paranatinga, em Mato Grosso.

Por Everton Plinio Martiny • 27/05/2026 09:40 • 683 acessos
Homem é condenado por matar ex com fogo em Paranatinga

Um homem de 20 anos foi condenado a 29 anos e três meses de prisão por matar a ex-namorada após atear fogo nela em Paranatinga, a 373 km de Cuiabá. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (26), durante sessão do Tribunal do Júri que durou mais de 15 horas. O crime aconteceu em setembro de 2024 e foi enquadrado como feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar.

Djavanderson de Oliveira Araújo recebeu a sentença em regime inicial fechado e permanecerá preso para o início imediato do cumprimento da pena. Ele estava detido preventivamente desde setembro do ano passado no Centro de Custódia de Cuiabá. O Conselho de Sentença reconheceu agravantes como motivo fútil, uso de fogo, dissimulação e impossibilidade de defesa da vítima.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu em 9 de setembro de 2024, após uma sequência de episódios de perseguição e violência psicológica. Juliana Valdivino da Silva, ex-companheira do condenado, havia encerrado o relacionamento cerca de três meses antes, após convivência de aproximadamente três anos.

No dia do crime, Juliana foi até a antiga residência do casal para buscar pertences pessoais. Conforme a investigação, ela teria sido impedida de sair do imóvel sob o argumento de que o ex-companheiro queria conversar. Temendo pela própria segurança, enviou mensagens à mãe com um pedido de ajuda e o endereço do local, conseguindo sair apenas após intervenção familiar.

Horas depois, ainda segundo a acusação, Djavanderson teria planejado o ataque. Ele comprou etanol em um posto de combustível da cidade e criou uma situação falsa para atrair novamente a vítima, alegando ter sofrido um acidente e precisar de ajuda.

Ao retornar ao local, Juliana foi surpreendida após uma nova discussão. O acusado jogou álcool sobre o corpo dela e ateou fogo. Os dois sofreram queimaduras graves, mas a vítima teve cerca de 90% do corpo atingido por lesões de segundo e terceiro grau.

Após o ataque, Juliana foi transferida para o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde permaneceu internada em estado gravíssimo. Apesar dos esforços médicos, ela não resistiu aos ferimentos e morreu dias depois.

A Justiça reconheceu que o assassinato ocorreu por razões ligadas à condição de gênero da vítima, configurando feminicídio. O julgamento também considerou os crimes de perseguição (stalking) e violência psicológica contra a mulher.

As investigações apontaram que o condenado monitorava a ex-companheira por meio da clonagem do celular, acessando mensagens e localização da vítima. O comportamento incluía ameaças de suicídio, controle emocional e restrições à liberdade de Juliana.

Ainda conforme os autos, o acusado demonstrava inconformismo com o fim do relacionamento, fator que teria motivado o crime.

O caso reacende o debate sobre violência contra a mulher e feminicídio em Mato Grosso, especialmente em situações envolvendo relacionamentos abusivos e perseguição após separações. Especialistas e autoridades alertam que sinais como controle excessivo, ameaças e monitoramento podem anteceder episódios mais graves.

Com a condenação definida, o caso entra em uma nova etapa judicial. O condenado seguirá preso, enquanto o crime permanece como um dos episódios de maior repercussão em Paranatinga.

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