Polícia Civil investiga mortes de bebês em hospital de São Paulo
Famílias apontam suspeitas de infecções e complicações durante internações na rede Hapvida, enquanto autoridades realizam diligências.
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar uma série de óbitos de bebês ocorridos ao longo do ano no Hospital Salvalus, localizado na Mooca, zona leste da capital paulista. As crianças teriam contraído infecções no ambiente hospitalar e falecido em decorrência de sepse, choque séptico e outras complicações clínicas.
O 8º Distrito Policial (Brás) conduz a apuração de seis casos iniciais, mas a investigação já teve acesso a dezesseis certidões de óbito. Uma advogada que representa os pais das vítimas relata estar em contato com dezenas de mães que perderam os filhos nos últimos meses na unidade, que integra a rede Hapvida, indicando que o número total de mortes pode ser ainda maior.
“Pra todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência. Então, todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos”, afirmou a advogada Eduarda Fragnan Gomes ao Metrópoles.
A Secretaria da Segurança Pública informou que os casos foram comunicados às autoridades policiais, que agora realizam diligências. O trabalho inclui a oitiva de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise detalhada de prontuários médicos para esclarecer as causas dos falecimentos.
Relatos de familiares registrados em boletins de ocorrência detalham internações marcadas por procedimentos complexos, desenvolvimento de infecções bacterianas e quadros graves de saúde. Entre os casos apurados estão situações de bebês que apresentaram complicações severas após o atendimento inicial na instituição.
A assistente social Leticia Ferreira relatou que sua filha, Alice Vitória, permaneceu internada por meses e desenvolveu um quadro grave após contrair uma bactéria resistente. “Fomos pra uma cirurgia simples e achei que iria embora, e nunca mais saí com ela de lá”, lamentou a mãe, expressando expectativa de que o hospital seja responsabilizado.
Em nota oficial, a rede Hapvida declarou que os pacientes apresentavam condições clínicas distintas e de elevada gravidade. A instituição afirmou que cada um deles recebeu assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de estrutura de alta complexidade e condutas terapêuticas individualizadas conforme a evolução dos quadros clínicos.















