UFMT afasta aluno após criação de lista com alunas “estupráveis” em Cuiabá
Um aluno da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi afastado preventivamente em Cuiabá (MT) nesta quarta-feira (6), após suspeitas de envolvimento na criação e divulgação de uma lista que classificava estudantes como “estupráveis”, além de mensagens com teor de violência sexual compartilhadas em um aplicativo de mensagens.
De acordo com a direção do curso e com nota oficial da UFMT, o caso envolve a produção de conteúdo misógino e possíveis ameaças de violência sexual contra alunas. A instituição informou ainda que abriu procedimento disciplinar para apurar os fatos e tentar identificar todos os envolvidos. A universidade não divulgou o número de investigados.
O estudante apontado como principal suspeito já está afastado preventivamente das atividades acadêmicas. A UFMT informou que a medida foi adotada para preservar o ambiente institucional e proteger possíveis vítimas que seguem frequentando o campus. Segundo a instituição, há relatos de estudantes que se sentem intimidadas após a circulação das mensagens.
O processo disciplinar segue em andamento e pode resultar em punições que vão desde advertência até expulsão, conforme as regras internas da universidade.
O caso veio à tona após a divulgação de mensagens trocadas entre estudantes em um aplicativo de mensagens, que rapidamente se espalharam pelo campus de Cuiabá. Segundo o Centro Acadêmico, o conteúdo incluía referências a um suposto “ranking” de alunas, com teor de violência sexual e linguagem ofensiva.
A repercussão gerou forte reação entre estudantes do curso de Direito, que passaram a protestar dentro da universidade e a cobrar providências imediatas da direção.
A direção da Faculdade de Direito determinou o afastamento preventivo do aluno e encaminhou o caso à Comissão de Processo Disciplinar Estudantil da UFMT, responsável pela investigação interna. O procedimento segue a normativa CONSUNI 281/2025.
Além disso, foram autorizadas a inclusão de provas digitais, documentos e testemunhas no processo. A universidade também afirmou que está implementando medidas de proteção e acompanhamento institucional às alunas potencialmente afetadas.
O caso reforça o debate sobre misoginia e violência de gênero dentro de instituições de ensino superior em Mato Grosso, especialmente em cursos de alta pressão como o Direito. Episódios semelhantes têm gerado preocupação crescente sobre segurança e ambiente acadêmico no estado.
A mobilização estudantil também evidencia uma cobrança por respostas mais rápidas e efetivas das universidades diante de denúncias envolvendo violência sexual e discriminação.
O caso segue sob investigação interna na UFMT e ainda não foi registrado na Polícia Civil. A universidade afirma que novas medidas poderão ser adotadas conforme o avanço das apurações, e que o processo pode resultar em sanções disciplinares ao final da análise.














